É só dar um passeio pela capital alemã para se certificar de que a cidade é uma espécie de Meca para os grafiteiros da Europa. Em suas fachadas e ao longo dos vários quilômetros do Muro de Berlim que sobraram, imagens, retratos e letras coloridas preenchem os espaços vazios e dão um ar de revolução juvenil e rebeldia punk à cidade.
Mesmo nas regiões turísticas e badaladas do bairro Mitte ou de Prenzlauer Berg, as marcas do grafite se fazem presente. Mas é em Kreuzberg que elas dominam. O bairro, que já foi operário, virou reduto punk e hoje é uma das regiões com maior concentração de jovens e artistas da cidade, apresenta a maior sequência de fachadas inteiramente pichadas da capital. Foi ali, no início dos anos 80, quando o setor ainda era ocupado pelos americanos, que a moda da pichação aflorou entre os berlinenses. Cercado pelo muro, o bairro tinha pouco policiamento e nenhuma patrulha antipichação. Ou seja, era um prato cheio para os jovens que queriam externar sua indignação com o sistema político, a divisão do país ou qualquer outro assunto polêmico.
Hoje, os desenhos que recobrem a cidade são mais artísticos. Há retratos, caricaturas, paisagens. Há obras de gente importante do grafite como Banksy, Os Gêmeos e Thomas Baumgartel. E, claro, muitos nomes, escritos em letras finas, cheias, ovaladas, rabiscadas…









